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Pré Venda Harry Potter

23/05/2013

Boteco Pedrini – Protásio Alves


Depois de meses adiando a visita ao local, fomos conhecer o Boteco Pedrini da Protásio Alves... foi um espetáculo!

De cara, uns banquinhos para aguardar, caso esteja lotada a casa...


Como foi possível perceber, ali pelo meio da tarde o local já abre, gosto disso... chegamos pouco antes das 18h30, tempo suficiente de registrar umas imagens do local ainda não lotado... de um lado, área mais voltada para fumantes...


Ficamos aqui na parte dos não fumantes...


Achei bala essa jogada da arquitetura no local, que no meio de determinada área temos parte de uma grandiosa árvore, que segue fora do restaurante...


Falando do ambiente, mais um daqueles momentos ‘detalhe na iluminação’:


Mas para mim Pedrini é um ótimo local pelo ambiente, pelo clima e principalmente, para comer bem... cara, manda ver aquela Bohemia, para começo de conversa... enquanto não traz, gostei que o treco que fica embaixo do copo é personalizado, com o logo do restaurante, isso é reforçar ainda mais a marca do estabelecimento, mandaram bem!


E ae chegou nossa entradinha, bem de canto e sossegada... umas azeitonas, cebolinhas, queijo, ovo de codorna...


Mas será que ficou claro o protagonista do pedido? Vale um novo olhar, uma nova foto: camarão a milanesa! Muito, muito bem servido e isso que pedimos meia-porção... e acompanhava tudo isso que temos na volta.


Entre um camarão e outro, um tapa na Bohemia, bem gelada e na medida.


Para o prato principal pedimos algo clássico do Pedrini, que reza a lenda que existe desde o primeiro dos bares abertos, em 1960. Algo que vem em uma generosa panela de ferro...


Pois é... se tu pensou em qualquer coisa menos pizza, errou... rs


A pizza fica lá, fervendo e mantendo o sabor enquanto saboreamos outras partes... pedimos uma de coração de galinha, sempre muito saborosa.


A pizza fica lá, fervendo e mantendo o sabor enquanto saboreamos outras partes... pedimos uma de coração de galinha, sempre muito saborosa.


E já estávamos super satisfeitos, acabou sobrando um bom bocado para o café da manhã, digamos assim...


Embalagem na mão, fui pagar a conta: 127 reais (contando tudo, camarão, pizza, duas Bohemias e mais dois docinhos para viagem, mas que foram comidos de forma tão rápida que nem entrou para o click do Cinéfilos Famintos... erro feio esse, comer sem tirar a foto!) resolveu tudo. O Pedrini é um baita local para ir no começo da tarde, no fim da noite, para comer uns petiscos ou aquela super refeição... e a filial Petrópolis, na descida da Protásio Alves, logo depois do Barranco... aprovadíssima!


Deixo agora com vocês minha crítica sobre o filme Detona Ralph, publicada originalmente no Fila K.

Sou velho, fato. Mas não sou daqueles que soltam reclamações nostálgicas como: “na minha época se jogava bola ou bolita na rua, não tinha computador, televisão e videogame”. Videogame. Na minha época tinha sim videogame. Cheguei até a jogar ODISSEY na praia, na casa de um vizinho e posterior amigo. Mas bala mesmo era o Atari. Ali eu aprendi a correr de carro na neve (Enduro), a colocar gasolina no avião e desviar dos tiros (River Raid), a perseguir ladrão e desviando de obstáculos (Polícia e Ladrão), atravessar a rua sendo uma galinha (Free Way)... Parte dos meus anos 80 foram assim. Os anos 90, um pouco menos: a coisa já era mais tiroteio em linha reta e encontrar o chefão ao final da fase (Contra, Streets of Rage)... tive minhas fases de Atari e Nintendo. E fui aos poucos largando esse mundo mágico dos games para encarar obrigações profissionais, sentimentais, familiares... A criança some, o adulto surge. Assim sendo, é um frescor tão divertido quanto sair correndo e pegar anéis dourados é ver um filme como Detona Ralph.


Na animação dirigida por Rich Moore, observamos Ralph: 3 metros de altura, 300 kg, braços enormes... nada o favorece para ser um mocinho. E ele não o é mesmo. Há 30 anos é o vilão de Conserta Félix. Enquanto Félix conserta o prédio do game homônimo, Ralph tem por objetivo destruí-lo. Assim não é surpresa ele passar por uma crise de existência, onde não quer ser sempre o vilão, e sim fazer o bem para ganhar uma medalha de honra, que só os heróis ganham. Para tanto, Ralph vai atravessar mundos, fazer uma importante amizade e até refletir sobre até que ponto ser vilão é ruim.

Tendo em vista toda a evolução do mundo da tecnologia (e por consequência dos videogames), uma história apenas no mundo dos 8 bits soaria meramente nostálgica. Assim, o roteiro de Jennifer Lee e Phil Johnston vai além: na ideia de Ralph alcançar seu objetivo, o protagonista adentra em Um Mundo Sombrio, cheio de tiroteios e monstros voadores, para posteriormente cair em outro mundo, o “Sugar Rush” (ou por aqui, A Corrida Doce), onde conhecemos um pouco mais de Vanellope, a garota que quer a todo custo conquistar sua corrida. Os personagens podem ir de um jogo para outro através da estação de games, eles viajam pelos fios das tomadas (mas não é encorajado que eles o façam).

A fotografia da animação é de encher os olhos. Mais do que isso, além de deslumbrante, é um trabalho de detalhes: no Mundo Sombrio (com uma heroína que parece um misto de Lara Croft/Tomb Raider com a Alice de Resident Evil), há uma paleta de cores em tons escuros, repleto de efeitos visuais modernos e tiroteios variados. No mundo das corridas, existe uma ambientação alegre, com cores vivas, propositadamente exageradas.

Mas o mundo de Ralph é o mais empolgante e trabalhoso de todos: o mundo de 8 bits é composto por cores mais comuns, sem grande brilho. Nisso é preciso destacar que grande parte dos personagens tem seus movimentos geométricos, quadriculados, lembrando exatamente os games dos anos 80. Mais do que isso, os personagens coadjuvantes seguem suas vidas nos jogos da mesma maneira ao longo das três décadas, e quando um deles nota a falta de Ralph, outro imediatamente diz: “não interessa, sigam a programação”.

Mesmo tendo nos apresentado ambientes diversos, o foco é o ambiente de Ralph. E é nesse mundo que observamos as maiores referências: logo nos primeiros minutos testemunhamos uma inusitada reunião dos “vilões anônimos”, onde encontramos, entre outros, Zangief, Mister Bison, Robotnik e Bowser. Estas referências servem não apenas para deleite dos fãs (mais velhos), mas também para deixar mensagens ao longo do caminho de nosso protagonista. Para mim, a melhor delas é a deixada por Sonic em um anúncio enquanto Ralph transita pela grande estação de games (estação essa que visualmente nos apresenta uma similaridade até incômoda com a central de trabalho do filme Monstros S.A.): se você morrer fora do seu jogo, não vai se regenerar. Ora, a mensagem é clara: todo mocinho que morre tem vidas extras, mais chances para passar de fase; com o vilão é game over!


É claro que, como a maior parte das animações da Disney, o humor é o que se destaca no longa. Não faltam piadas envolvendo os famosos bugs e tilts como frequentemente acontecia com os games dos anos 80/90, e Detona Ralph ainda faz humor com a atualidade: quando Vanellope sofre um suposto “bullying” de outras competidoras da corrida doce, ela se defende alegando ter “pixelepsia”. Um dos momentos mais geniais envolve os primórdios do Youtube, sobre o que acontece quando se mistura refrigerante de cola e pastilhas de mentos (em uma cena que acaba sendo fundamental no 3º ato do filme).

Com o protagonista sendo um vilão e o impacto que isso poderia gerar com o público infantil, Ralph é um vilão, sim, pois o mundo assim o quis (ou se preferirem, os meios justificam os fins), mas no fundo ele não passa de um gigantão de bom coração, gente boa e ingênuo. Um vilão, mas com miolo mole, como bem define Vanellope. O único real momento em que Ralph lembra algo “mau” é quando o mesmo afunda em um lago de chocolate, onde escutamos uma curiosa gag sonora (vejam o filme e irão reconhecer na hora esse momento).

Entre tantas virtudes do longa, é necessário comentar o aspecto negativo do mesmo: a personagem Vanellope. Mesmo que se justifique como peça fundamental da trama, Vanellope é aquele tipo de personagem irritante em cena, que mesmo em seus bons momentos não se sobressai a sua presença que beira o superficial em certos pontos do filme (fazendo com que me lembrasse de Jar Jar Binks até – tirem suas conclusões). Aqui cabe uma nota: assisti ao filme na versão dublada, o que além de prejudicar em possíveis trocadilhos/piadas sobre o mundo dos videogames, pode ter piorado na questão da personagem citada. Quanto ao 3D do filme, não encontrei nada muito relevante que justificasse a escolha do formato em detrimento do 2D.


Tendo em seu 3º ato a lembrança de uma passagem importante do “gigante miolo mole”, e que define parte de seu caráter (“Eu sou mau e isso é bom, eu jamais serei bom e isso não é ruim. Eu não preferiria ser ninguém além de mim.”) e uma pequena reviravolta, Detona Ralph é um filme para crianças e adultos, mas que funcionará muito melhor se, nos últimos 30 anos, você em algum momento foi fanático por videogame. Se não, funciona igual, mas se você passou a infância ou parte da adolescência em meio aos games, vai ficar alegre feito Sonic observando milhares de moedas douradas a sua volta, pronto para correr e abraçar todas elas.

Melhor que isso só se Ralph tivesse uma parceria a altura, pois se Mario tem seu irmão Luigi para ajudá-lo nos problemas de encanação e outros, é muita sacanagem largar uma garota irritante para o nosso gigantão: é abusar de seu cérebro de miolo mole!

P.S.: o longa é precedido pelo belo curta O Avião de Papel. Lembrando uma das principais características de O Mágico (ambas as animações são mudas), o curta tem uma trilha sonora envolvente e crescente ao longo da projeção. O Avião de Papel, quem diria, traz um surpreendente desfecho: no fim das contas é o nosso trabalho que muitas vezes nos salva e abre portas para, entre outras coisas, uma chance para o amor.


P.S. 2: Não existe propriamente uma cena pós-créditos, mas a última cena do longa faz uma referência a algo muito comum nos videogames das gerações de 8 bits.


Crítica originalmente publicada no Fila K em 31/12/2012.


Avenida Protásio Alves, 1472 – Petrópolis – Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3072 2790
Horário de funcionamento: diariamente a partir das 16h

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