Livraria Cultura

Pré Venda Harry Potter

14/08/2013

Banca 40 – Mercado Público de Porto Alegre


Informação: A matéria abaixo foi elaborada e pensada antes do triste incêndio que tomou conta de parte do Mercado Público de Porto Alegre, em 06/07. Na verdade, a matéria abaixo estava prevista para entrar no ar na semana do ocorrido, mas seria falta de sensibilidade e no mínimo senso de oportunismo colocarmos no blog a matéria logo depois do incêndio. Esperamos com ansiedade a sua reabertura e a sua gradual reconstrução. Patrimônio cultural de cada cidade, o Mercado Público de Porto Alegre não é diferente: tem história, tem encanto, tem vida própria. Nosso Mercado é rico de variedades, de pessoas e de simbolismo que se torna no mínimo absurdo alguém pensar em implosão para o prédio. Nós, assim como a maioria dos porto-alegrenses, respeitamos, admiramos e gostamos do nosso Mercado Público e estamos torcendo para que aos poucos, tudo volte ao normal: o Mercado Público de Porto Alegre é muito grande para parar em definitivo ou ir abaixo. É o Mercado do mocotó do naval, dos produtos mais baratos, dos frutos do mar e, entre tantos pontos marcantes, da clássica Banca 40, que você lê a seguir: volta com tudo Mercado Público de Porto Alegre! Agora que começou a reabrir, só vai!

E eu sempre ouvia todos comentarem sobre as delícias da Banca 40 do Mercado Público de Porto Alegre, mas por incrível que pareça eu nunca tinha ido lá. Então chegou a hora!

De chegada já fui espiar os sorvetes...


E é claro, as saladas de frutas.


Mas como sou do contra, queria tomar café da manhã, então pulei a salada de frutas com sorvete nesse dia e resolvi olhar mais atentamente a vitrine de salgados.


Alguns bem apetitosos, mas fui me sentar e olhar o cardápio.


Fiz meu pedido, que foi computado nesse cartãozinho aí (que, diga-se de passagem, belo cartão: simples, objetivo, mas que deixa claro que o local é clássico do Mercado Público, quase 90 anos tem a banca!)...


... e fiquei olhando o movimento.


Gosto da arquitetura do Mercado!


Tenho um sério problema quando pego um cardápio e leio “mortadela Ceratti”... parece que todo o restante se apaga... hehe

Meu pedido foi um café expresso com leite bem cremoso.


E um Paulista – pão italiano, 150 gr. de mortadela Ceratti, alface, tomate e queijo. Pedi para prensar para ver no que dava e gostei do resultado.


Gente, o sanduíche era muito, mas muito saboroso e grande pra valer, nem almocei depois =P


Mas já que falei do pedido mais famoso da casa, eis que retornei à Banca 40 exclusivamente para experimentar a salada de frutas com sorvete, não poderia deixar de saboreá-la.

Pedi uma salada de frutas pequena com sorvete de cheesecake, preciso dizer mais alguma coisa?


Para meu delírio, entre o sorvete e a salada de frutas havia uma camada de paçoca. Morri.


A Banca 40 guarda sua história e suas memórias, e seus clientes saem dali satisfeitos e loucos para voltar. Minha conta, somando os dois dias, ficou em pouco mais de 19 reais, muito bem investidos, pode apostar!

E para não desperdiçar texto bom e já escrito (risos), trago pra vocês mais uma crítica minha originalmente postada no Fila K! E dessa vez trago um filme alternativo, do cinema canadense.


O cinema canadense tem nos proporcionado excelentes filmes nos últimos anos: Incêndios (Incendies, 2010), Eu Matei Minha Mãe (J'Ai Tué Ma Mère, 2009) e A Minha Versão do Amor (Barney’s Version, 2010) são alguns desses casos. Ocorre que O Vendedor (Le Vendeur) novo longa vindo de lá, dirigido e roteirizado pelo estreante Sébastien Pilote, fica um tanto atrás em qualidade.

De imediato, em sua cena inicial e ainda antes da apresentação do título do filme, observamos sem maiores explicações um guincho remover um animal morto em um acidente à beira da estrada. Pouco tempo depois o foco é outro, um carro acidentado. Esse é o ponto de partida para a história que acompanharemos ao longo das quase duas horas do filme.

Em uma cidade assolada por um inverno extremamente rigoroso, onde a neve marca sua presença em toda e qualquer superfície à mostra vive Marcel Lévesque (Gilbert Sicotte), um homem de 67 anos que nem de longe pensa em se aposentar.


Marcel por 16 anos consecutivos é considerado o melhor vendedor da loja de automóveis da cidade. Seus métodos, suas artimanhas para a venda são parte de seu sucesso e nada parece capaz de abalar tal estrutura construída ao longo dos anos. Suas outras únicas paixões são a filha Maryse (Nathalie Cavezzali), dona de um salão de cabeleireiros e o neto Antoine (Jeremy Tessier), garoto inteligente, além de promissor jogador de hóquei.

Morando em frente ao estabelecimento, o vendedor faz de seu emprego sua vida, é o primeiro a chegar e o último a sair da loja. E, por mais que a filha ou o neto, ou mesmo seus colegas de trabalho o incentivem a parar, a se aposentar e descansar, esse não é seu objetivo. Seu trabalho é o que torna seus dias necessários, e se fazer presente dentro deste ciclo é de vital importância para ele, seja vendendo, seja auxiliando na retirada da neve que se acumula por sobre os carros.


O rigoroso inverno poderá trazer sérias consequências, dentre as quais a falência da principal empresa da região, deixando a economia abalada e com ela sua população local. E neste ponto reside o principal problema do roteiro de Sébastien, pois insiste a todo o momento em colocar tal fato em cena, quebrando a narrativa desnecessariamente, visto que obviamente o foco do filme não é esse, e sim a vida de Marcel.

A direção de fotografia de Michel La Veaux não encontra muita opção em um cenário assim, mas por mais que a paisagem praticamente não mude, ele consegue fazer um bom trabalho, entregando belas tomadas em que a neblina e a nevasca são os principais elementos na tela. Os sons diegéticos são bem utilizados e de grande importância para o conjunto da obra, tais como do vento e da neve.

No tocante às atuações, Gilbert Sicotte empresta ao seu personagem exatamente o que ele precisa, entregando Marcel como uma pessoa reservada, sem maiores ambições além de seu trabalho e quase livre de expressões. São poucos os momentos em que o vemos sorrir ou demonstrar algum outro tipo de emoção. E em determinado momento esperamos que ele tome a decisão correta, pois é o personagem por quem torcemos e percebemos as poucas coisas que lhe trazem um pouco de alegria e determinação. Em contrapartida o elenco de apoio se mostra no limite, sem maiores destaques, já que permanecem menos tempo em cena.


O Vendedor é um filme fraco? Sim, mas com alguns pontos a favor. Talvez a história de vida, e por que não dizer de superação de Marcel, empreste certo carisma ao projeto, fazendo com que não seja de todo ruim, que tenha sim seus momentos previsíveis e descartáveis, mas que ao final da projeção não deixa a sensação de tempo desperdiçado.


Obs.: Crítica postada originalmente e na íntegra em 15/01/2012 no Fila K.


Mercado Público de Porto Alegre, bancas G, H e I – Quadra III – Centro – Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3226 3207 / 3226 3533
Horário de funcionamento: de 2ª a 6ª das 8h às 19h30 e sábados das 8h às 18h30

Nenhum comentário:

Postar um comentário