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27/09/2013

The Office e o seu fim


OBSERVAÇÃO INICIAL: nunca escrevi sobre seriados. Tampouco gosto de me prender a uma regra básica para esse tipo de escrita. Portanto, não leia o texto abaixo com grandes pretensões de encontrar lógica, sentido ou nexo. De todo modo, espero que gostem... eu gostei. Naquelas, mas gostei. O texto abaixo contém Spoilers.

Já vai longa data que acompanho seriados. Seriados para mim não são apenas os americanos ou até ingleses: são também os japoneses. Desde criança ficava ligado na extinta TV Manchete para ver Jaspion, Changeman, Flashman e até, alguns anos depois, Black Kamen Rider (que a mesma nunca exibiu o último episódio). Nos anos 90 acompanhava, semana a semana, Arquivo X. Na década passada, no entanto, o boom foi extremo, de acompanhar várias séries simultâneas, tais como Friends, Lost, 24 Horas... adorava fazer maratonas de 24 horas, diga-se de passagem. E foi por 2006 que já tinha escutado bastante gente falando bem de The Office, o americano. E ali começou a minha jornada com os personagens vendedores de papel da Dunder Mifflin, tudo filmado ao melhor estilo mockumentary (ou em outras palavras, o falso documentário).

Mas antes de assistir ao The Office americano, assisti ao original, o inglês. Por mais que alguns momentos beiravam o absurdo quase inaceitável de vergonha alheia, eu adorava os seriados. Até por serem em menor quantidade (2 temporadas com 6 episódios cada, um episódio de natal e fim), era mais fácil de absorver certas coisas, como a tal proporção no limite de vergonha alheia. Sem contar que tinha Ricky Gervais, então... tudo passa despercebido nesse ponto.

Mas de volta ao The Office americano, a primeira temporada foi de fato a mais difícil de aceitar. Com apenas 6 episódios, ela tinha uma ligação direta com o seriado britânico, tudo parecia cópia, as situações eram muito similares e assim por diante. Felizmente a partir da segunda temporada as coisas tomaram um rumo próprio. E aos poucos, fui sendo conquistado por aqueles personagens: por, entre tantos outros personagens, pelo insosso e massacrado Toby, pela recepcionista das últimas temporadas Erin, pelo insano Dwight, pelo casal mais famoso do escritório, Jim e Pam... e claro, pelo chefe surtado, pirado e transloucado Michael Scott, interpretado, de forma não menos que brilhante, por Steve Carell.


Foram 9 temporadas, certamente com altos e baixos (era inevitável que a série caísse de qualidade após a saída de Carell, quase ao fim da sétima temporada, e a escolha de James Spader para tentar fazer as vezes de chefe surtado, como se fosse um novo Scott... isso também não ajudou muito), mas, até nos piores momentos, a série não chegava a ser ruim, apenas irregular. A oitava temporada foi assim e mesmo irregular, olhei vários episódios um após o outro, com a perspectiva de uma melhora que viria logo ali adiante.


Momentos a destacar? Vários.

As aberturas arrebatadoras da série, uma melhor que a outra. Para mim a melhor, definitivamente, é da visualização de combate a incêndio, na quinta temporada.



A constante birra de Dwight com Jim, e por consequência as constantes pregações de cena de Jim com Dwight, desde o primeiro episódio (quando Jim coloca o grampeador de Dwight dentro de uma... gelatina!).




A arrancada sensacional da curta quarta temporada (devido à greve dos roteiristas de Hollywood), com momentos impagáveis entre as quais destaco pelo menos um:



A briga entre Michael e Jan, em um jantar constrangedor, onde Michael solta um dos mais empolgantes (e raivosos) ‘that’s what she said!’



Todo mundo dançando em Café Disco, um dos episódios mais musicais da história de The Office!



Os momentos em que Steve Carell toma conta dos episódios, com suas inserções absurdamente idiotas, por vezes beirando a vergonha alheia... Michael Scott sempre será o melhor chefe do mundo!



Mas enquanto não falamos do episódio duplo final, vamos ao resumo que não é de resumo...

Anteriormente, em The Office:


Jim arranja um outro emprego na Philadélfia. Ele está empolgado. Pam está tensa. O casamento deles segue, mas não tão firme e forte. O casamento de Angela com o senador estava firme e forte. O senador é gay. O Senador teve um breve affair com Oscar. Oscar é latino. Oscar é Gay. Oscar é colega de Angela. Angela está sem marido, com seu filho Philip e sem dinheiro. Oscar cede temporariamente sua morada para Angela. Andy larga a Dunder Mifflin para virar artista. A iniciativa de Andy resulta em fracasso. Darryl se despede do escritório. Sua despedida é com um dos melhores momentos musicais do seriado. O falso documentário vai virar documentário. Todos estão empolgados: the office (ou se assim preferir, a vida daqueles personagens filmados diariamente nos últimos 9 anos)  vai virar seriado.  Ninguém sabe o que irá acontecer. Só se sabe que nada mais será o mesmo.

Não sei muito o que falar do último episódio, o episódio duplo. Foi emocionante. Tivemos um casamento, talvez já esperado por anos e anos. Tivemos casamento e salto no tempo, mas diferente das novelas globais, a mim pareceu algo que funcionou de forma orgânica, sem maiores forçadas de barra. Aliás, sobre o casamento, duas coisas: é óbvio que teríamos o momento de despedida de solteiro e solteira.  A outra coisa que precisa ser dita é: o que temos em comum em filmes como Kick-Ass, Desejo de Matar 4, Comando para Matar e Um Dia de Fúria? Em todos eles, em algum momento, observamos algum personagem utilizar um famoso instrumento militar, uma bazuca. Invariavelmente podemos dizer que se um filme tem bazuca, é garantia de alguma qualidade ou, pelo menos, de uma cena memorável. E The Office tem seu momento bazuca. Simples, discreto, nada espalhafatoso, mas confesso que nunca tinha pensado em alguém querendo dar um tiro de bazuca em sua despedida de solteiro... acho um pedido justo, pensando agora.


Além do casamento, encontramos no último episódio de The Office respostas para eventuais ‘pontas soltas’ ao longo de outras temporadas, tais como a história dos pais de Erin. E buenas, mesmo que por poucos segundos, mesmo que de forma quase calada na maior parte do tempo, mesmo com tudo isso, tivemos a volta de Michael Scott. Sim, causa estranheza sua aparição não ser zuando, ou esculhambando alguma coisa, ou ainda sozinho, sem esposa e filhos. Mas lembro de House, que muitos reclamaram que Lisa Cuddy não apareceu em nenhum momento da última temporada, nem no episódio final, nem sendo mencionada. Ao menos aqui tivemos a presença daquele que foi a alma do ‘escritório’ por muitos e muitos anos. Foi diferente, foi singular, foi discreto. Mas foi bom ver Michael uma última vez.


E nada mais justo que, nos últimos segundos de The Office, temos visto Pam falar, relembrar sua vida no local, até puxar uma ligação, dos tempos iniciais em que era a recepcionista. Terminando o seriado com um breve plano aberto e que mostra o prédio do escritório mais famoso de Scranton, The Office foi uma série que teve sim seu período irregular, inegável isso, mas olhando para todo seu histórico o sentimento que fica foi de uma história muito bem contada, com personagens carismáticos, com histórias sensacionais e momentos inesquecíveis, uma série com humor e sensibilidade e até um pouco de drama nos momentos certos. Uma série que desde já deixa os fãs com saudades. E/ou como diria o melhor chefe do mundo:


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